sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Mademoiselle de Nina Ricci

Hoje, quando senti essa fragrância pela primeira vez, exclamei: pimenta-rosa! E, de fato, a alma desse perfume está na combinação pimenta-rosa, rosas e almíscar.
A primeira impressão é de algo exultante, embora áspero, confuso. Mais além emergem as notas florais bem arredondadas e doces que, aos poucos, vão se acomodando numa cama macia de madeiras, âmbar e almíscar, criando um efeito cremoso que se desenvolve em pó (bastante agradável e curioso): lembra-nos o cheiro de bonecas novas, as quais, geralmente, carregam cheirinhos de bebês.
Cabe observar, porém, que não se trata de um perfume exatamente pueril, inocente, angelical. 
Uma curiosidade é que uma das notas de coração dessa fragrância é da nossa velha conhecida "espirradeira", flor comum e abundante em quintais e praças de todo o Brasil (Oleandro).

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Kenzo Word

Um perfume que tem dividido opiniões. Alguns dizem que, embora agradável, não tem a pegada da marca, o estilo e o brilho e a fidelidade ao cheiro das flores vivas e exuberantes .
A meu ver, a fragrância é luminosa sim, inicialmente, explodindo sua notas florais e frutais que se combinam, aos poucos, revelando um efeito sensual. Lembra a pimenta-rosa combinada às frutas vermelhas. É paradoxal e em alguns momentos cheira à intimidade e insinua a volúpia, em ondas sutis.
Notas resinosas e ambaradas, ao fundo, dão um toque levemente enevoado, que abraça a combinação floral/frutal do perfume.
É fresco, luminoso, doce e insinuante. 
Acompanha a tendência dos perfumes femininos, combinando notas florais e frutais (quase gourmands) às especiarias.
O frasco, que alude ao terceiro olho (ligado à capacidade intuitiva e à percepção sutil), é uma marca da coleção.
Um bom perfume.


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ah... Exubérance


Graças a minha queridíssima amiga Li, que conseguiu essa pérola de um colecionador em São Paulo, pude sentir de novo um dos perfumes mais marcantes de toda a minha vida: o extinto Exubérance, de O Boticário, há mais de 20 anos descontinuado. 
Seu cheiro inconfundível de mel e tuberosa perfaz os caminhos da minha vida, sondando cantinhos muito discretos da minha memória.
Exubérance carrega o cheiro da era de ouro da marca: os anos oitenta e início de noventa.
Com a justificativa de que estão sempre em busca das tendências do mercado ou de que falta matéria-prima, estão acabando com tudo que eu amava por lá. Minhas colônias favoritas já se foram... e nada pode ser feito em terras tupiniquins. O jeito é me deliciar com os importados maravilhosos que tenho encontrado.
Poder guardar um pouquinho da memória do que foi O Boticário me dá prazer. 
As vendedoras de hoje, quando falo dessas obras-primas, ficam com cara de paisagem, geralmente.
Como pode? Que pena!
Obrigado, Li! Estou rindo à toa com a raridade que tenho em mãos. Beijos do amigo Cris.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Pimenta-rosa

Importante deixar claro que não se trata, na verdade, de pimenta. A conhecida pimenta-rosa é o fruto da aroeira, uma árvore nativa da América do Sul. Tem sabor levemente picante e com um adocicado bem sutil. Combina perfeitamente com carnes e também com sobremesas, principalmente as que usam chocolate. As árvores crescem em abundância no sul baiano e muitos nativos colhem as sementes entre a vegetação de restinga e vendem para exportadores,a fim de conseguir algum trocado.
O odor da pimenta-rosa também é bastante diferente do cheiro que exalam as verdadeiras pimentas. O que percebemos, na verdade, á um cheiro verde, bastante aromático, e pouco rascante. Comparado à pimenta-preta, por exemplo, é bem mais suave e agradável, quando aspirado in natura. 
Na perfumaria, a pimenta-rosa está na moda. No topo da moda, eu diria. Combina perfeitamente com perfumes de temas gourmand, acompanhando notas frutais suculentas, por exemplo. Ocorre, muitas vezes, combinada com groselha, cassis e sementes de romã.  
Atualmente uma onda de fragrâncias doces e suculentas, com sugestão spicy, tem invadido o mercado. Perfumes como Euphoria, de CK, L'Extase, de Nina Ricci e Miss Dior Absolutely Blooming, de Dior, são bons exemplos dessa nova mania mundial.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Prazer em revê-lo, Styletto!

Já faz algum tempo que venho pensando em fazer esta nota em elogio a O Boticário pelo lançamento da edição comemorativa de Styletto. Há quem diga que o perfume perdeu fixação. Eu confesso que não percebi isso. Na verdade, tem muito a ver com os diferentes momentos da nossa vida em que sentimos e usamos um perfume. Não podemos esquecer também que Styletto é uma colônia e, como tal, tem uma fixação mais
moderada.
Não tenho muitos motivos para elogiar O Boticário, já que a maioria dos meus perfumes queridos foram arrancados de mim, sem aviso prévio e sem justificativa que me convença. Acho um tremendo desrespeito. Mas preciso registrar aqui minha alegria ao ganhar um frasco do tradicional e heroico Styletto (que ainda resiste) bem naquele formato antigo, de quando eu o conheci. As únicas diferenças é que agora a embalagem conta com uma válvula fixa de aspersão e também com uma tampa repensada, mais moderna.
Tudo bem. O importante é que o estilo vintage do frasco me trouxe boas lembranças e uma vontade danada de usar esse perfume novamente. A embalagem sofreu muitas transformações. Começou com uma tampa de madeira, charmosíssimo, e de lá pra cá foi sendo mutilado de todas as formas.
O frasco anterior e esta última edição, dito reeditado e moderno, assassinou os perfumes masculinos tradicionais de O Boticário: Connexion, Dimitri e Styletto. Um formato grosseiro, pouco atraente, com uma tampa de plástico fajuta, como se essas fragrâncias não merecessem o respeito de serem algumas das âncoras que elevaram a empresa ao patamar que ocupa hoje.
Pela ideia maravilhosa de nos brindar, entretanto, com um pouquinho do que restou em nossas memórias do que foi O Boticário, agradeço a empresa.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Miss Dior Absolutely Blooming

Fragrância frutada e suculenta, com apelo de frutas vermelhas e coração de peônia e rosas, enlaçado por sementes de romã, pimenta-rosa e musk branco. Na verdade, não se trata de algo doce, melado e enjoativo. O efeito áspero entre as notas gulosas e doces de framboesa e groselha, tão na moda, novamente se faz presente, assim como ocorre com La vie, L'Extase e Si de Armani. O perfume se transforma na pele, tornando-se cálido, levemente picante e instigante. 
A onda pimenta-rosa e sementes de romã tem sido, para mim, uma crise de originalidade. Muitos perfumes femininos têm surgido nessa mesma vibe. Até entendo, mas convenhamos: uma casa como a Dior tem poder absoluto para ousar e lançar tendências.
Aguardemos, portanto.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Dior Homme Eau for Men

Lançado em 2014 como uma versão mais casual do já apresentado Dior Homme, de 2011, este perfume mantém a sofisticação nada convencional do seu precursor, garantida, principalmente pelas notas florais secas e empoadas da íris, porém agora com  a marcante presença de coentro, revelando-se mais aberto e aromático. Notas de grapefruit e bergamota sustentam o tema desse flanker, muito bem recebido pelos homens de espírito urbano e contemporâneo.
O criador da fragrância é François Demachy, o qual afirma que Dior Homme evita todos os clichês masculinos. Trata-se de uma nova experiência em termos de perfume para homens.
Na campanha, ouve-se o som do Led Zepplin, em  Whole Lotta Love.



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