quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ah... Exubérance


Graças a minha queridíssima amiga Li, que conseguiu essa pérola de um colecionador em São Paulo, pude sentir de novo um dos perfumes mais marcantes de toda a minha vida: o extinto Exubérance, de O Boticário, há mais de 20 anos descontinuado. 
Seu cheiro inconfundível de mel e tuberosa perfaz os caminhos da minha vida, sondando cantinhos muito discretos da minha memória.
Exubérance carrega o cheiro da era de ouro da marca: os anos oitenta e início de noventa.
Com a justificativa de que estão sempre em busca das tendências do mercado ou de que falta matéria-prima, estão acabando com tudo que eu amava por lá. Minhas colônias favoritas já se foram... e nada pode ser feito em terras tupiniquins. O jeito é me deliciar com os importados maravilhosos que tenho encontrado.
Poder guardar um pouquinho da memória do que foi O Boticário me dá prazer. 
As vendedoras de hoje, quando falo dessas obras-primas, ficam com cara de paisagem, geralmente.
Como pode? Que pena!
Obrigado, Li! Estou rindo à toa com a raridade que tenho em mãos. Beijos do amigo Cris.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Pimenta-rosa

Importante deixar claro que não se trata, na verdade, de pimenta. A conhecida pimenta-rosa é o fruto da aroeira, uma árvore nativa da América do Sul. Tem sabor levemente picante e com um adocicado bem sutil. Combina perfeitamente com carnes e também com sobremesas, principalmente as que usam chocolate. As árvores crescem em abundância no sul baiano e muitos nativos colhem as sementes entre a vegetação de restinga e vendem para exportadores,a fim de conseguir algum trocado.
O odor da pimenta-rosa também é bastante diferente do cheiro que exalam as verdadeiras pimentas. O que percebemos, na verdade, á um cheiro verde, bastante aromático, e pouco rascante. Comparado à pimenta-preta, por exemplo, é bem mais suave e agradável, quando aspirado in natura. 
Na perfumaria, a pimenta-rosa está na moda. No topo da moda, eu diria. Combina perfeitamente com perfumes de temas gourmand, acompanhando notas frutais suculentas, por exemplo. Ocorre, muitas vezes, combinada com groselha, cassis e sementes de romã.  
Atualmente uma onda de fragrâncias doces e suculentas, com sugestão spicy, tem invadido o mercado. Perfumes como Euphoria, de CK, L'Extase, de Nina Ricci e Miss Dior Absolutely Blooming, de Dior, são bons exemplos dessa nova mania mundial.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Prazer em revê-lo, Styletto!

Já faz algum tempo que venho pensando em fazer esta nota em elogio a O Boticário pelo lançamento da edição comemorativa de Styletto. Há quem diga que o perfume perdeu fixação. Eu confesso que não percebi isso. Na verdade, tem muito a ver com os diferentes momentos da nossa vida em que sentimos e usamos um perfume. Não podemos esquecer também que Styletto é uma colônia e, como tal, tem uma fixação mais
moderada.
Não tenho muitos motivos para elogiar O Boticário, já que a maioria dos meus perfumes queridos foram arrancados de mim, sem aviso prévio e sem justificativa que me convença. Acho um tremendo desrespeito. Mas preciso registrar aqui minha alegria ao ganhar um frasco do tradicional e heroico Styletto (que ainda resiste) bem naquele formato antigo, de quando eu o conheci. As únicas diferenças é que agora a embalagem conta com uma válvula fixa de aspersão e também com uma tampa repensada, mais moderna.
Tudo bem. O importante é que o estilo vintage do frasco me trouxe boas lembranças e uma vontade danada de usar esse perfume novamente. A embalagem sofreu muitas transformações. Começou com uma tampa de madeira, charmosíssimo, e de lá pra cá foi sendo mutilado de todas as formas.
O frasco anterior e esta última edição, dito reeditado e moderno, assassinou os perfumes masculinos tradicionais de O Boticário: Connexion, Dimitri e Styletto. Um formato grosseiro, pouco atraente, com uma tampa de plástico fajuta, como se essas fragrâncias não merecessem o respeito de serem algumas das âncoras que elevaram a empresa ao patamar que ocupa hoje.
Pela ideia maravilhosa de nos brindar, entretanto, com um pouquinho do que restou em nossas memórias do que foi O Boticário, agradeço a empresa.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Miss Dior Absolutely Blooming

Fragrância frutada e suculenta, com apelo de frutas vermelhas e coração de peônia e rosas, enlaçado por sementes de romã, pimenta-rosa e musk branco. Na verdade, não se trata de algo doce, melado e enjoativo. O efeito áspero entre as notas gulosas e doces de framboesa e groselha, tão na moda, novamente se faz presente, assim como ocorre com La vie, L'Extase e Si de Armani. O perfume se transforma na pele, tornando-se cálido, levemente picante e instigante. 
A onda pimenta-rosa e sementes de romã tem sido, para mim, uma crise de originalidade. Muitos perfumes femininos têm surgido nessa mesma vibe. Até entendo, mas convenhamos: uma casa como a Dior tem poder absoluto para ousar e lançar tendências.
Aguardemos, portanto.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Dior Homme Eau for Men

Lançado em 2014 como uma versão mais casual do já apresentado Dior Homme, de 2011, este perfume mantém a sofisticação nada convencional do seu precursor, garantida, principalmente pelas notas florais secas e empoadas da íris, porém agora com  a marcante presença de coentro, revelando-se mais aberto e aromático. Notas de grapefruit e bergamota sustentam o tema desse flanker, muito bem recebido pelos homens de espírito urbano e contemporâneo.
O criador da fragrância é François Demachy, o qual afirma que Dior Homme evita todos os clichês masculinos. Trata-se de uma nova experiência em termos de perfume para homens.
Na campanha, ouve-se o som do Led Zepplin, em  Whole Lotta Love.



domingo, 27 de novembro de 2016

Desinfetante? Nãããããoooo....

Fico tão triste quando compro um desinfetante com cheirinho gostoso, para perfumar o ambiente e trazer bem-estar e conforto, e percebo que a casa está com o mesmo perfume que eu. Exatamente isto: eu e a casa com o mesmo perfume.
Pois é: assim como as roupas, as fragrâncias também têm seu momento e seu auge na moda ou tornam-se atemporais e muitas empresas de produtos de limpeza se utilizam desses aromas aclamados internacionalmente para criar seus desinfetantes, aromatizadores de ambientes, amaciantes, entre outros. Existe até uma marca que anuncia seus produtos com o dizer "fragrâncias internacionais".
Perfumes como Gabriela Sabatine, inúmeros de Hugo Boss, CK One, Amor Amor, Eternity e até o todo poderoso Chanel Nº 5 já foram vítimas dessa atrocidade. Recentemente pensei que alguém tivesse deixado cair um dos meus frascos, tamanha era a semelhança do aroma que ficou no ar com um dos meus favoritos.
Sabemos que não se trata do mesmo perfume, ou seja, da mesma essência ou de algo idêntico, mas só de saber que o chão está com um cheirinho parecido com o perfume no qual paguei mais de 500,00 reais é de entristecer. O pior é que depois de um tempo acabo perdendo a vontade de usá-lo.
Melhor mesmo é comprar água sanitária e pingar umas gotinhas de essência de eucalipto.

Angel Men

Diferentemente do tradicional e aclamado Angel para mulheres, a criação masculina muito me agrada, mesmo que mantenha a "pegada" da versão original (for women). O que acontece é que Angel Men traz as mesmas notas gulosas do primeiro (marca registrada da fragrância feminina) sem, no entanto, apelar com os acordes florais e frutais que mais me parecem flores e frutos já passados e mergulhados em algum caldeirão de caramelo. Angel Men é explosivo e sua insinuação picante mescla-se com o odor guloso e quente do café e da tonka, revelando algo cremoso, flambado e sedutor, com notas de caramelo envoltas em café e base de patchouli, sândalo e cedro. 
As notas verdes e alavandadas de saída servem apenas para arrancar com o mix surpreendente de odores e texturas criados por essa obra genial.
Inúmeras criações sucederam Angel Men, acentuando acordes de malte, café, couro, entre outros.
Seu frasco se apresenta com a mesma estrela da marca, porém envolvida por um cartucho emborrachado e recarregável.
Um belíssimo perfume!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Poême Eau de Parfum

Eis uma fragrância que conheço e namoro há muito tempo. Como somente agora adquiri meu primeiro frasco, sinto que também só agora poderei falar com um pouquinho mais de propriedade sobre essa belezura.
Poême é uma dessas obras atemporais. Tem a pegada dos aromas de flores brancas que se imortalizaram na perfumaria. Além disso, notas generosas  de mimosa e âmbar podem ser percebidas facilmente, posicionando o perfume entre obras também já consagradas, como Amarige, de Givenchy, e Classique, de Jean Paul Gautier. Poême é clássico, sensual e elegante.
Notas doces e bastante agradáveis são sentidas logo na abertura, de maneira intensa, lembrando um mix frutal bastante pueril, semelhante a tutti-frutti,  que se desenvolve em busca das flores brancas de jasmim, tuberosa e de laranjeira, já atribuindo à sinfonia uma feminilidade mais contundente e nada ingênua. O perfume surpreende. Notas de rosas, ylang-ylang e mimosa somam-se ao coração generosamente floral de Poême, alcançando uma complexidade sensual e lindamente sofisticada, que se percebe algum tempo depois da aplicação. Tal efeito chega a me trazer a lembrança dos aldeídos de criações como Gabriela Sabatine, por exemplo, que evocam uma atmosfera floral limpa e ensaboada, rescendendo ondas contrastantes entre o frescor das flores e o calor do couro, do almíscar e do âmbar. A baunilha e a tonka também estão presentes, com sua preciosa contribuição para o corpo sutilmente cremoso do perfume.
O nariz por trás dessa fragrância é um dos meus preferidos: Jacques Cavallier.


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