quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Amber

Fragrância moderna e sofisticada, com acentuadas notas de madeira, resinas e baunilha envolvendo um núcleo floral/frutal macio e sedutor.
Amber apoia-se nas notas densas e contrastantes de patchuli, âmbar, almíscar, baunilha, musgo de carvalho, sândalo e benjoim, ou seja, somam-se notas secas e rascantes a opulência e cremosidade, além de um toque misterioso e incensado. A combinação dessas notas de base, quentes e acolhedoras, ao efeito floral suculento do coração da fragrância delineia a alma desse perfume, que chega até a me lembrar o efeito curioso de algum iogurte secando na pele.
Prada Amber nos remete, em alguns momentos da evolução, a certas obras da perfumaria, como Narciso Rodriguez, L'Extase, de Nina Ricci e Euphoria, de CK.
Criado em 2005, por Carlos Benaim, Max Gavarry e Clement Gavarry.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

L'Extase

A fragrância de 2005 firma-se como uma das principais obras da casa, conferindo ares de modernidade e ousadia à tradicional Nina Ricci de L'air dus Temps.
L'Extase inspira-se nas fantasias voluptuosas da mulher, com forte acento sensual, o que não significa algo doce, melado e apelativo.
O perfume tem algo de áspero, rascante em meio à doçura cremosa e flambada do caramelo que se une à feminilidade das rosas, por exemplo, e à suculência mais que sedutora da pera e do pêssego. A pimenta-rosa garante o equilíbrio e o interessante desassossego. A sinfonia conta ainda com ondas cálidas e sensuais de baunilha, resinas e madeiras, como o benjoim e o cedro.
L'Extase tem algo do estrondoso sucesso da Calvin Klein, Euphoria, porém muito mais bem arquitetado, ao meu ver.
Finalizando a obra, temos o almíscar e o âmbar.
O criador da fragrância é o sucesso Francis Kurkdjian.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Eden

Eu tenho um amigo que é louco por esse perfume. Diz sempre que lembra a tia rica que chegou de viagem.   
Realmente é uma fragrância rica em acordes que nos remetem a um jardim paradisíaco. 
Abre-se com notas frescas e anisadas, muito intensas, e logo revela seu buquê floral denso, quente e quase intoxicante da rara tuberosa, jasmim, lírios, flor de lótus, mimosa, abacaxi e rosas. A base é amadeirada e ainda conta com a doce cremosidade da fava-tonka.
Eden é elixir floral, com apelo mais antigo e tradicionalmente francês. Pode até ser violento se não for usado com certo cuidado, por isso combina melhor com noites ou dias frios.
Mas uma coisa é certa: Eden tem muita personalidade, assim como toda  criação de Cacharel, e não possui similares. Criado em 1994 por Jean Guichard.

domingo, 29 de maio de 2016

Potion Blue Cadet pour Homme

A casa de moda canadense Dsquared2, dos irmãos Dean e Dan Caten, conhecida pelos desfiles extravagantes e cheios de energia, lança em 2013  uma fragrância também cheia de energia e frescor, porém nada inovadora.
A obra foi inspirada na cor azul e contou com a criatividade da perfumista Mathilde Bijaoui, que teve como desafio a transformação de uma cor em fragrância.
O resultado foi um aroma aquático e pulsante, com notas cítricas e aromáticas, explodindo em acordes frescos, sobre uma base de cedro e notas levemente quentes e adocicadas, obtidas do musk e da fava-tonka. O perfume conta ainda com notas da cicuta azul que, embora para mim seja uma novidade, promete conferir ao perfume adores lenhosos, aromáticos e frutados únicos.
Ao fundo, algum diferencial, obtido das notas aromáticas bem adequadas à base de madeiras.
A fragrância em questão é uma reedição de odores já conhecidos e consagrados, iniciados com Acqua di Gio e recriados com algumas variantes: umas vezes mais rascantes, mais especiarizadas, outras vezes mais verdes, porém de mesmo espírito.
Não deixa de ser muito agradável.

domingo, 24 de abril de 2016

Zíngara

Uma fragrância de 1986, descontinuada, e agora de volta em uma edição especial para o Dia das Mães.  
Zíngara encarna a aura dos idos anos 80/90, a qual o Boticário tanto soube interpretar. Uma fragrância floral, de acento verde, com saída docemente fresca, levemente áspera e que, aos poucos, revela a profunda  feminilidade das flores da jasmim e as poéticas ondas frias e aquosas do lírio-do- vale. 
Zíngara reside entre a explosão floral de Innamorata, com seu romantismo  e energia, e a profunda delicadeza e feminilidade de Annete, com suas notas delicadamente frias de lírio, jasmim e tuberosa.
Constam na composição notas de limão, menta, maçã-verde, cassis e rosa-chá
Uma interessante experiência que, ao meu ver, nada tem de mistério, como o próprio nome sugere. Zíngara é jovem, romântico, delicado e, agora, cheio de histórias pra contar.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Dior Homme

Mais uma obra estupenda de uma das minhas casas preferidas: Dior Homme.
Uma fragrância floral amadeirada com fundo musk, peculiar e "classuda". Dior Homme "põe no chinelo" muitas criações masculinas atuais, que soam sempre como reedições de temas consagrados. É sim uma fragrância urbana e contemporânea, mas diferente e ousada. 
Assim como em "Play"de Givenchy, há algo inquietante e bastante inovador: um cheiro empoado e quente que nos remete ao contexto dos shoppings centers, do jeans novinho, de atualidade, novidade  e bom gosto. 
Diferente de "Play", aqui o efeito é obtido com notas de cacau e não de café, somadas ao cheiro floral seco da raiz de íris e arrematado pelo terroso vetiver e pelo aconchegante patchuli. 
Têm-se um perfume que não cheira exatamente a perfume. Do jeitinho que eu gosto.
O nariz responsável por essa obra maravilhosa é François Demanchy, responsável por inúmeros sucessos da casa Dior, como Addict Eau de Parfum, Hypnotic Poison Eau de Parfum e Miss Dior.
Top.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Bleu de Chanel pour Homme

A marca não tem nos perfumes masculinos sua referência. É na moda feminina e nos perfumes para elas que Chanel tem seu glamour. Perfumes como Pour Monsieur, Antaeus, Egoiste, o sucesso de vendas Allure Homme Sport, entre alguns mais, são obras dignas do sobrenome que carregam, muito embora, entre os perfumes masculinos, as variações são menos dramáticas e, por isso, as ousadias criativas nem sempre percebidas  (com exceção de casas como Jean Paul Gautier e Clavin Klein, que foram muito além de alguns conceitos estabelecidos para o homem).
Um dos filhos mais novos da casa, lançado em 2010, é este exemplar de perfume masculino de acento aromático e balsâmico, que se apresenta com notas cítricas e "especiadas" de limão, toranja, noz-moscada, gengibre, hortelã, pimenta-rosa, além  de  incenso e discretas nuances de jasmim e arremate clássico de sândalo e patchuli. Um perfume contemporâneo e versátil, com notas que remetem ao frescor sem, no entanto, ignorar a robustez e sofisticação masculina. Bleu tem discreto tom de mistério.
O que acontece, porém, é que Bleu é reincidente, talvez devido às razões já expostas: cheiro maravilhoso, nobre, porém um aroma  já sentido, certamente.
Ao aspirar as notas de Bleu, passeio por Tsar, por YSL L'Homme, por notas universais, lineares entre perfumes masculinos.
O frasco mantém a sobriedade da grife, com suas linhas retas e austeras. A tampa "rouba" de 212 sua grande "sacada": ímã para impedir que esta se solte da garrafa.
Confesso que prefiro Chanel para elas.

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